[fusion_builder_container hundred_percent=”yes” overflow=”visible”][fusion_builder_row][fusion_builder_column type=”1_1″ background_position=”left top” background_color=”” border_size=”” border_color=”” border_style=”solid” spacing=”yes” background_image=”” background_repeat=”no-repeat” padding=”” margin_top=”0px” margin_bottom=”0px” class=”” id=”” animation_type=”” animation_speed=”0.3″ animation_direction=”left” hide_on_mobile=”no” center_content=”no” min_height=”none”][note title=”O NOSSO MUNDO ENCANTADO NA MEMORIA QUE O TEMPO NÃO APAGA“][/note]

O nosso mundo encantado é carregado de valores e conhecimento, o nosso maior legado deixado por nossos ancestrais para nós povo Pankararu através da memória, o tesouro que guarda e carrega as vivencias e experiências com poder de fazer, multiplicar os Ensinamentos que vem sendo expressos com nosso jeito de ser, o nosso jeito de viver como um diálogo entre o conhecimento e a prática cultural e tradicional.

A memória está ligada a nossa vida cultural com a natureza e a ciência sagrada. Neste sentido os conhecimentos jamais poderão ser ensinados através de registros /escritos: mas do ser  e pertencimento do nosso povo para assim expressar a memória  viva dos nossos sábios ancestrais que vem de traz para frente ( da antiguidade para hoje).

Os ensinamentos acontecem no acompanhamento dos sábios detentores tradicionais, por a fé, o respeito o temor, o cumprimento das regras culturais e tradicionais. Desde á relação do dia-a-dia com a mãe terra, quando a natureza nos comunica algo e nós entendemos, sejam por cada jeito do cantar dos pássaros, os diferentes jeitos de ventar, o sol  desde a barra  do dia para o pôr-do-sol, a lua, a chuva, os animais, o arco ires , as estrelas, as plantas etc.

Essas sabedorias são guardadas na memória levando ensinamentos de geração a geração e o tempo não apaga.

“Segundo a Convenção 169 da O I T no artigo 13” As culturas e valores espirituais tem sua relação com a terra ou território  que ocupam.

Reafirmamos que os nossos Rituais a nossa própria medicina  é uma forte relação religiosa com a mãe terra e a Biodiversidade. Cada tuante, cada dança, do toré, das três rodas, do bate gancho, das páreas, da dança do búzio; São práticas que trazem a harmonia, união e a força da presença viva dos Encantados. O futuro ficou para trás.

Cada história do nosso povo é parte essencial da experiência de vida que vem da memória para oralidade e a prática para fortalecer e reafirmar nossa identidade, como ex: Veja aqui na Serra da fonte Grande existe uma preciosa nascente. Até hoje são poucos os Pankararu que tiveram o merecimento de ver.  Muitos já tentaram procurar sem permissão e ficaram perdidos e desnorteados de mata adentro. Outros por determinação dos encantados sobre outros reconhecimentos da ciência se depararam inesperadamente com a rara beleza. Aquele momento de encantamento inexplicável pode passar a entender o significado de estar preparado tanto fisicamente quanto espiritualmente para poder-mos viver um encontro do natural e o sagrado.

Cada nascente do nosso mundo encantado tem seu dono Encantado. Assim acreditamos, respeitamos e também tememos  a nossa ciência  que transmite orientação e cura ao ser Pankararu que  auto se identifica-se etnicamente e culturalmente considerando suas  diferenças entre as outras sociedades.

Maria Nazaré dos Santos

(Índia Professora Pankararu)

 

 
[/fusion_builder_column][fusion_builder_column type=”1_1″ background_position=”left top” background_color=”” border_size=”” border_color=”” border_style=”solid” spacing=”yes” background_image=”” background_repeat=”no-repeat” padding=”” margin_top=”0px” margin_bottom=”0px” class=”” id=”” animation_type=”” animation_speed=”0.3″ animation_direction=”left” hide_on_mobile=”no” center_content=”no” min_height=”none”][note title=”MINHA AVÓ FOI PEGA A DENTE DE CACHORRO“][/note]

Ao longo de muitas décadas, sempre ouvimos alguém, falando essa mesma ladainha, apesar de nós também sermos culpados de jogar pérolas aos porcos, hoje estamos comendo o pão que o diabo amassou, sempre fui inimigo desse tipo de gente que chega de fora, talvez das cidades circunvizinhas procurando parente em nossa Aldeia e mentindo, dizendo que tem raízes indígenas e que o sangue corre nas veias.

Por estes e outros motivos, peço a todos os irmãos indígenas que põem isto na cabeça de uma vez por todas, que esses tipos de forasteiros estão à procurando, encontrar um pau que tenha sombra; que possa arcar com tratamento médico, remédios, passagens, hospedagens, faculdade para os filhos e documentos para se aposentarem etc. Tirando o direito do índio e se apossando dos recursos destinados às famílias indígenas. É lamentável a situação que se encontra agora porque os nossos órgãos que nos tutoram, acreditam hoje mais na mentira do que na verdade e digo mais adoram colocar o branco contra o índio ao invés de abraçarem essa causa tão importante e justa.

Acredito que para isso, o funcionário público ganha salários e não estão cumprindo com suas obrigações, fornecendo documentos a pessoas estranhas que não honram a nação indígena.

Precisamos fazer alguma coisa, muitas vezes me encontrei com varias pessoas, oferecendo algo em troca de conhecimentos e falando coisas que eu nunca gostaria de ter ouvido: “MINHA AVÓ FOI PEGA A DENTE DE CACHORRO” e eu simplesmente perguntava: Sua avó era uma raposa ou estava roubando? Temos que seguir o exemplo de Marechal Candido Rondon que sempre nos dizia “Morrer se preciso for matar um índio nunca” e por que hoje vivemos morrendo de vergonha dos trabalhos prestados em toda rede de assistência governamental aos indígenas.

Vamos refletir!

miguelpankararu@hotmail.com.

Técnico em Gestão Escolar

[/fusion_builder_column][fusion_builder_column type=”1_1″ background_position=”left top” background_color=”” border_size=”” border_color=”” border_style=”solid” spacing=”yes” background_image=”” background_repeat=”no-repeat” padding=”” margin_top=”0px” margin_bottom=”0px” class=”” id=”” animation_type=”” animation_speed=”0.3″ animation_direction=”left” hide_on_mobile=”no” center_content=”no” min_height=”none”][note title=”Memória da minha infância“][/note]

Lembro-me como hoje tudo que aconteceu no meu tempo de infância, como era divertido. Logo bem cedinho minha mãe nos acordava dizendo que os passarinhos que não devia nada a ninguém já estavam cantando. Íamos buscar água na nascença da fonte grande, durante o caminho era aquele divertimento:

 

O sobe e desce, ora montada no jegue

Ora com pote na cabeça

O canto dos pássaros entoando a minha caminhada.

E a diversidades de animais

Existe por todo lado

 

Cobra espinhada tomando sol

Preá correndo e entrando nas varedas

Bico-doce acasalando

Gambás caindo dos galhos do juazeiro

Uma verdadeira beleza.

 

Se a fome batia, não era problema

Mangas, goiaba, caju, pinha, imbu e cana pitú

E seguia me deliciando

 

Há minhas nascentes

Cada uma tem suas historias

Lembro-me muito bem

E guardo em minha memória

 

E a mãe natureza

Que esplêndida beleza

Tudo é perfeição

Eu sou filha admiradora

Deste pedaço de Chão.

 

Maria Brígida dos Santos Andrade

(Professora Pankararu)

 

[/fusion_builder_column][fusion_builder_column type=”1_1″ background_position=”left top” background_color=”” border_size=”” border_color=”” border_style=”solid” spacing=”yes” background_image=”” background_repeat=”no-repeat” padding=”” margin_top=”0px” margin_bottom=”0px” class=”” id=”” animation_type=”” animation_speed=”0.3″ animation_direction=”left” hide_on_mobile=”no” center_content=”no” min_height=”none”][note title=”INDIOS PANKARARU“][/note]

Miguel Pankararu

 

 

Somos primeiros habitantes do Brasil

Da terra fértil, hídrica deste imenso céu azul.

Nos limites de petrolândia, Jatobá e Tacaratu.

Estão localizadas as terras do povo Pankararu.

 

Nossos Patrimônios históricos: marco no cemitério,

Serras, fontes, cruzeiros, riachos, bicas e cachoeira.

A ciência dos mais velhos, os encantos e toantes,

São fontes de inspiração, da nossa mãe natureza.

 

Artesanato: Chapéu, tapete, abano e bolsa

Feito da palha nativa do pé de ouricuri.

Tudo isso, nos agregam valores e renda.

Sustentabilidades de verdade têm por aqui.

 

Temos uma enorme biodiversidade

Animais domésticos e ervas medicinal.

Fruteiras, manga, pinha, umbu e caju.

Essa fauna e flora são do povo Pankararu

 

Ritos, lendas, costumes, religião e tradição.

Toré, menino do rancho, Os passos três rodas,

E temos apresentação da corrida do umbu,

Tudo isso é arte e cultura do povo Pankararu.

 

Professores habilitados na Educação Diferenciada

Parteiras tradicional, firmes, conscientes e treinadas,

Curandeiros fazendo o uso das plantas e raízes

Assegura a nova geração de um povo ser felizes.

 

Se o sistema capitalista não fosse tão ingrato e cruel

Cada órgão público que nos torturam, cumprisse o seu papel

Sem maracutaia, deslizes, falcatrua, desvio, fingindo-se de réu

Nosso povo teria uma doce vida, igual a um favo de mel.

 

 

[/fusion_builder_column][fusion_builder_column type=”1_1″ background_position=”left top” background_color=”” border_size=”” border_color=”” border_style=”solid” spacing=”yes” background_image=”” background_repeat=”no-repeat” padding=”” margin_top=”0px” margin_bottom=”0px” class=”” id=”” animation_type=”” animation_speed=”0.3″ animation_direction=”left” hide_on_mobile=”no” center_content=”no” min_height=”none”][note title=”Índio Pankararu Acredita em Hortinha Doméstica“][/note]

O indígena Pankararu, Miguel Antonio da Silva, Técnico em Agropecuário e Técnico em Gestão Escolar, cansado de tanto ouvir falar só na teoria de preservação do meio ambiente, resolveu agir e colocar em prática seus conhecimentos.
Segundo o Técnico em .Agropecuária. Miguel Pankararu, informou que a possibilidade de se construir uma hortinha nas proximidades das Escolas e residências é muito simples, basta ter boa vontade e amor a nossa mãe natureza.
Em tachos feitos de pneus velhos, uma Unidade Demonstrativa está sendo construída para servir de exemplos. Mesmo não tendo uma área de terra e sim resíduos sólidos encontrados e transformados em base para substituir os canteiros é possível cultivar verduras, cheiro verde, erva medicinal e até cultivar o morango. O Indígena e Educador Social confirmou que pretende construir hortinhas em Escolas da rede Estadual. Só depende de incentivo e apoio para levar conhecimentos científicos e tecnológicos aos irmãos Pankararu.

 


Utilizando pneus velhos, carrinho de mãos, baldes, bacia, canos de PVC, embalagens, garrafas peti, madeiras etc. O indígena contribui com a transformação, preservação e a decoração do seu próprio ambiente.

Quando citei a nossa feira livre para serem comercializados os produtos 100% orgânico, ouvi como resposta que a preocupação no momento é com a barriga, não é justo comprar os produtos que podemos cultivar e produzir para saciar a nossa fome; Depois iremos pensar em produção, construindo outros tipos de hortas do tipo pais e mandalas, lembrando sempre que
lixo é tudo aquilo que não se pode ser reutilizado.

 
[/fusion_builder_column][fusion_builder_column type=”1_1″ background_position=”left top” background_color=”” border_size=”” border_color=”” border_style=”solid” spacing=”yes” background_image=”” background_repeat=”no-repeat” padding=”” margin_top=”0px” margin_bottom=”0px” class=”” id=”” animation_type=”” animation_speed=”0.3″ animation_direction=”left” hide_on_mobile=”no” center_content=”no” min_height=”none”][note title=”CASAMENTO DO POVO PANKARAU“][/note]

Por: Miguel Pankararu

Em nossa aldeia apesar das modernidades que o homem inventa para destruir o que foi construído no passado, nos fazemos questão de preservar o que foi construído e resgatar nossos costumes. E um deles é o casamento, que seja na Lei humana, Lei divina ou regime tribal, o importante é que  a festa seja feita, mais ou menos assim no dia em que a celebração, do casamento for realizada, a noiva e o noivo tem que estarem bonitinhos , limpos e cheirosos, por esses e outros motivos o casal tem que tomarem um banho de bica.

A noiva é levada para a bica de Camila, acompanhada pelas convidadas cada convidada tem a responsabilidade de dar o banho e para a festa ficar mais bonita levam consigo cacos de telhas, pedaços de tijolos e sabugos de milho e areia lavada para esfregar o espinhaço da noiva.

 

E o noivo também é levado para outra bica conhecida por: A bica de pai Chico na Fonte grande e os convidados levam também as mesmas coisas que levam para o banho da noiva que acontecem no mesmo horário e quando terminam os banhos, os noivos e convidados, retornam para a casa do pai do noivo, nessa trajetória entre a bica e a casa do noivo são entoados vários melodias inclusive uma das que mais se destaca: “Eu fui no to ró ró beber água e não achei, achei belas morenas que no to ró ró deixei” acompanhados de versos e rimas e terminando com  um toré  de tremer o chão.

 

Tudo é lindo de mais, porque fazemos com carinho e dedicação preservando essa tradição hereditária.[/fusion_builder_column][/fusion_builder_row][/fusion_builder_container]