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Na quarta feira, dia 11 de março, ocorreu na Oca Aberta, sede da Thydêwá, o lançamento da versão final do livro Pelas Mulheres Indígenas. É o 22o livro da coleção Índio na Visão dos Índios.

O lançamento ocorreu durante o IV Encontro da Rede Pelas Mulheres indígenas e contou com a presença de 16 representantes da Rede – mulheres indígenas de 06 comunidade do Nordeste. As representantes das comunidades Kariri-Xocó e Karapotó Plaki-ô (AL) não puderam estar presentes, pois estão participando da retomada de terra em suas aldeias, na busca por garantir o território. As mulheres indígenas que estão participando do Encontro manifestaram seu apoio às companheiras através de uma carta, publicada no blogue da Rede, e as mulheres Kariri-xocó também fizeram uma publicação sobre a retomada.

Estiveram também presentes outros indígenas Tupinambá de Olivença, pesquisadores e servidores públicos (advindos de CRAS, CREAS, Secretaria de Assistência Social) que estão fazendo parte de uma formação, realizada pela organização Tribos Jovens, para melhor atender aos indígenas. 

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A formação, que está sendo realizada nos municípios de Porto Seguro, Santa Cruz de Cabrália, Prado, Ilhéus e Pau Brasil, tem como um dos temas a “Violência conjugal contra mulher”, de forma que o debate da “Cartilha contra Violência” que compõe o livro Pelas Mulheres Indígenas e os relatos sobre violência contidos no livro virão a integrar a formação.

Diante das falas das mulheres indígenas, os profissionais presentes manifestaram seu reconhecimento da importância do trabalho que vem sendo feito pelo projeto Pelas Mulheres Indígenas. Mencionaram que, de forma independente, as agentes do projeto estão conseguindo realizar uma ajuda social e terapêutica que pode muito ensinar aos profissionais. Demonstraram também interesse em formar uma parceria com a Thydêwá e desenvolver seu trabalho em sinergismo com o plano de ação que o projeto das mulheres vêm implementando.

As indígenas presentes destacaram a importância de se fazer um trabalho que parta da base, do conhecimento da realidade das comunidades e com pessoas que tenham a vivência desta realidade. Elas afirmaram também que têm um conhecimento da própria realidade e sabem como lidar culturalmente com suas parentes, e que um profissional que venha trabalhar na aldeia deve respeitar e buscar este conhecimento.

Ao todo, foram aproximadamente 5o indígenas e profissionais que trabalham com os povos indígenas participando de uma roda de conversa onde as mulheres indígenas partilharam seus relatos sobre como foi realizado o livro, sobre o trabalho com as mulheres nas aldeias e também sobre como todo o processo de trabalhar com os direitos das mulheres indígenas tem afetado diretamente suas vidas.

Veja alguns desses relatos.

“Através deste projeto das mulheres, a gente teve uma capacitação da Lei Maria da Penha e fomos crescendo na sabedoria, passando para aquelas que precisavam e precisam ainda deste conhecimento. E a violência estava acontecendo dentro da minha casa e essa oficina chegou no momento certo. A minha filha estava passando por violência e tinha medo de se libertar. Mas, através desse conhecimento sobre o direito da mulher, da Lei Maria da Penha, eu cheguei lá e pude ajudar ela”.

“Hoje, nós estamos aqui para fazer o lançamento desse livro… com certeza, cada uma de vocês que ler esse livro vai sentir o que cada mulher colocou nele, a realidade de cada uma que sofreu e como elas puderam se libertar.” 

Maria D’ajuda (Arian Pataxó), cacique da aldeia Pataxó de Dois Irmãos

“Essas pessoas aqui me ajudaram a viver, a ter alegria, a ter tudo que você pensar em uma mulher, essas pessoas aqui me ajudaram. Eu tive coragem de falar minha vida, que eu pensava que um dia eu iria morrer, sem nunca conseguir falar. E eu quero que um dia esse livro chegue na mão dele, para ele ver que eu tive coragem, tive força.”

Jacialva Maria, Pataxó de Cumuruxatiba

“Muitas sofriam violência, mas não sabiam como sair e nem tinham ninguém para se abrir. Eu comecei a participar da vida delas, fazendo visitas e apoiando. A partir daí, eu vi que a gente tinha muito caso de violência em nossa comunidade, que a gente nem imaginava que havia, porque a gente não tinha o costume de ir na casa das mulheres e perguntar o que acontecia no seu lar. E esse projeto veio como uma benção em minha vida, porque a partir dele eu vi como as Pataxó Hãhãhãe precisam de uma pessoa que orientasse sobre o que é a violência doméstica, que muitas mulheres sofrem e não sabem que estão sofrendo. Eu já sabia que a lei Maria da Penha existia, mas eu não tinha noção de como essa lei era vigorada em nossa aldeia. Esse projeto me enriqueceu muito como mulher, porque hoje eu conheço meus direitos, aprendi e sei como buscar ajuda. Hoje eu me sinto mais mulher, porque eu tenho autoriedade para falar sobre esse assunto. Tenho autoridade de chegar para uma colega, que está se achando a pior das mulheres, e dizer: “Não, não faça isso, você é importante, você é uma guerreira.”

Maria Rita Muniz, Pataxó Hãhãhãe

“Depois do primeiro encontro, a gente pôde levar para a comunidade o que a gente aprendeu aqui. E foi muito importante. A gente foi vendo que as mulheres começaram a ter mais autoridade dentro das famílias, não deixar só na mão dos maridos, mas também aprender a caminhar sozinha.”

Katherine Freire, Pankararu

Hoje em dia eu olho uma vizinha que vivia presa, a gente já ver ela com a porta aberta…outras cuidando da própria saúde, outras cuidando do filho, levando ao pediatra. Eu tinha vergonha de falar, e hoje em dia já estou falando, eu estou falando aqui no meio de tanta gente.”

Célia, Tupinambá

O livro Pelas Mulheres Indígenas está disponível gratuitamente para download neste link: https://www.thydewa.org/wp-content/uploads/2015/03/pelas-mulheres-indigenas-web.pdf

Outros livros da coleção “Índios na Visão dos Índios” estão também disponíveis para download gratuito no site da Thydêwá: https://www.thydewa.org/downloads1/

O projeto Pelas Mulheres Indígenas conta com o apoio da Secretaria de Política para as Mulheres, da Presidência da República (SPM-PR). O livro Pelas Mulheres Indígenas conta também com o apoio da Secretaria de Política para as Mulheres do estado da Bahia (SPM-BA).

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Veja mais fotos do lançamento na Galeria.

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